Contabilidade como Ferramenta de Gestão nas Pequenas e Médias empresas
As pequenas e médias empresas desempenham um importante “papel” na economia brasileira
As pequenas e médias empresas desempenham um importante “papel” na economia brasileira. Empregam milhões de pessoas, geram riqueza e renda para população e ainda ajudam no processo produtivo das grandes empresas, fornecendo mão de obra e matéria prima, além de outros insumos.
Por sua importância, elas precisam ser bem administradas e, para tanto, é necessário que os administradores tenham em mãos informações precisas que demonstrem a real situação da empresa.
É preciso ter plena consciência da situação financeira, dos custos, das questões trabalhistas e tributárias, além de outros aspectos importantes, como estratégia por exemplo. É neste cenário que a contabilidade ganha relevância como ferramenta de gestão.
Infelizmente, por não sofrerem as mesmas exigências de conformidade e outras formalidades burocráticas, que as grandes empresas de capital aberto, por exemplo, sofrem, as pequenas e médias empresas, via de regra não adotam procedimentos que assegurem a correta e precisa informação contábil.
Em muitos casos, sequer os Princípios de Contabilidade são respeitados. Entre eles, o Princípio da Entidade, que tem como ponto central a máxima de que o patrimônio da empresa não se confunde com o patrimônio dos sócios, e o Princípio da Competência que define entre outros pontos que as receitas e as despesas devem ser incluídas na apuração do resultado do período em que ocorrerem, sempre simultaneamente quando se correlacionarem, independentemente de recebimento ou pagamento.
Além de não observarem, na maioria das vezes, os Princípios de Contabilidade, as pequenas e médias empresas também nem sempre observam as práticas contábeis que deveriam ser adotadas em função da adoção do Brasil aos padrões internacionais de contabilidade.
Para tanto, foi elaborado um Pronunciamento Técnico específico para pequenas e médias empresas. Este pronunciamento deu origem a Resolução nº 1.255/09 (NBC TG 1000). A importância desta norma ficou ainda mais evidente quando o Comitê de Pronunciamentos Contábeis abriu uma consulta pública, para que a sociedade enviasse sugestões a respeito da necessidade de adequar a norma à realidade das empresas. De acordo com a norma, Pequenas e Médias empresas são sociedades fechadas e sociedades que não sejam requeridas a fazer prestação pública de suas contas.
É bastante comum as pequenas e médias empresas se preocuparem apenas com informações que interessam apenas ao fisco. Porém, este comportamento não condiz com a realidade atual do mercado.
É preciso se atentar para os diversos usuários da informação gerada por uma empresa. Interessa aos bancos, fornecedores e funcionários, saberem se a empresa consegue arcar com os compromissos financeiros assumidos. Aos clientes, interessa saber se a empresa tem condições de entregar o combinado, ao fisco interessa saber como e qual o impacto que as operações da empresa tem sobre a arrecadação.
É possível afirmar que a maior parte das informações necessárias para tomada de decisão por parte dos gestores, estejam disponíveis na contabilidade da empresa.
Um dos maiores desafios que as empresas enfrentam é o controle e/ou a redução dos custos. É perfeitamente possível obter os dados referentes ao custo dos produtos ou serviço por meio de centros de custos específicos e integrados as contas contábeis.
Também, por meio da contabilidade é possível verificar os índices da empresa. Sejam eles de liquidez corrente, liquidez seca, liquidez imediata ou liquidez geral. Os índices são uma boa ferramenta de análise, pois, avaliam a capacidade da empresa de honrar seus compromissos e ainda gerar resultados. Porém, os resultados obtidos com está analise só têm confiabilidade se a empresa for adepta das boas práticas contábeis. Ainda, com as informações contábeis em ordem, é possível elaborar fluxos de caixa futuro, orçamentos, projeções de crescimento etc.
Pelo que foi exposto neste artigo, fica claro como a contabilidade pode ser usada como ferramenta de gestão e porque merece singular atenção por parte dos profissionais da contabilidade e gestores.
Carlos Soares
Consultor da Coutinho, Lacerda, Rocha, Diniz & Advogados Associados. – CLRD Advogados.
